1. Pedro queria ter um pastor alemão, mas se contentou com um dog. Pedro queria ser centroavante, mas aceitou jogar na lateral. Pedro queria ver uma comédia, mas ficou feliz com um drama. Pedro queria refrigerante só com gelo, mas aceitou gelo e limão.
Pedro, chega de tudo bem. Você já pode ser exigente!2. Rosa queria se casar na primavera, mas aceitou casar no outono. Rosa queria uma lua-de-mel na praia, mas se contentou com a cidade. Rosa queria morar no oitavo andar, mas ficou feliz com o sétimo. Rosa queria passear no zoológico, mas aceitou passear no parquinho.
Rosa, chega de tudo bem. Você já pode ser exigente! *Certa feita me peguei discutindo sobre “agências matrimoniais” com alguém mais velho. Comentei sobre os vários casamentos marcados da noite pro dia que já vi. Minha opinião, a despeito do por que, era a seguinte: “tudo bem se não rolar... me inscrevo na agência e caso da noite pro dia também. Dá certo...”. Sem titubear a pessoa me olhou nos olhos e disse: “ta... mas essas aí se casaram com pessoas que gostavam de verdade?”. Na hora disfarcei e dei uma resposta qualquer, mas isso me deixou pensativa.
Nascemos sem medos ou ansiedades e com o passar do tempo esses sentimentos são “incutidos” em nós. Uma criança de colo não faz a menor cerimônia para “lavar” sua roupa limpinha com leite azedo, bem na hora de sair de casa. Felizmente, nunca vi alguém censurar um bebê que acabou de gorfar. Passado algum tempo, as crianças passam a ter vontades – de balas, bolacha, leite com chocolate, lingüiça. Estranhamente tais “vontades” surgem bem na hora que você está com os alimentos citados e equivalentes em mãos! E, totalmente “desencanadas”, não pensam duas vezes pra pedir. Até os seis anos de idade mais ou menos, é “bonitinho”, depois disso os pais começam a repreendê-las e o detentor do objeto a fazer cara feia diante do pedido.
Assim toda aquela “falta de vergonha” vai sendo retraída. Não estou aqui sugerindo um caos, discrição e recato são necessários para a organização da comunidade, porém há certo excesso sobre os seres humanos em desenvolvimento. Tudo o que querem não pedem mais, buscam por seus próprios meios obter semelhante.
Por fim, chegamos à fase adulta receosos quanto a qualquer coisa e mantendo reservas em grau elevadíssimo.
Voltando às agências... Quanto se gosta de alguém, a ponto de ignorar o fato e, simplesmente, se abrir ao relacionamento conjugal sem o tempero “paixonante” do amor? Qual a seriedade de nossos sonhos e vontades, que nos permitem sermos “Pedros e Rosas”? Cá estamos, perdoe-me a infeliz comparação, numa condição de “preservativo”. Nos envolvemos sem, efetivamente, se envolver. Suprimos a carência afetiva humana num ser semelhante ou equivalente ao parceiro tão sonhado. Nos conformamos com qualquer coisa que apareça em nosso caminho, quando rumamos para a realização de um sonho.
Se quando crianças “maiorzinhas”, ao invés de sufocar a vontade de comer aquele chocolate, que alguém tem nas mãos, até ganharmos algumas poucas moedas suficientes pra comprar um menor e mais barato, soubéssemos pedir com “jeitinho”, não seríamos acostumados a nos conformar com menos do que, realmente, queremos. O receio de pedir e não receber leva-nos ao retraimento e, quando nos damos conta, lá estamos numa camisa-de-vênus – frustrados, reprimidos, limitados e ludibriados!
Por que se contentar com um camponês montado num jegue se o que, realmente queremos, é o príncipe cavalgando em seu reluzente cavalo branco? Não falo aqui de bens ou classes sociais, mas sim, da importância do sentimento. Quando a gente se apaixona de verdade, qualquer camponês vira príncipe!
O que importa não é o matrimônio em si, a “licença” moral da sociedade (que um dia foi tradicional e católica) para juntar as escovas-de-dentes, mas sim, passar o resto da vida com quem você ama. Não é o sétimo ou oitavo andar que fazem diferença, nem a raça do cachorro de estimação, mas o fato de querer algo e não abrir mão. Não acredito que existam corações “vazios” ou pessoas que passivamente não “fazem questão” de que suas exigências se cumpram, o que há são sonhos reprimidos e seres humanos conformados.
Mesmo nos casos mais cuidadosos, há “acidentes”. O “envoltório fino de borracha resistente” se rompe, ocasionando a “libertação” de alguns. Diante de todo esse retraimento e temor a nós imposto, prefiro ser a exceção, o resultado inesperado, a gravidez “indesejada”.
Não aceitar menos do que, verdadeiramente, queremos. Subjugar os receios, moderar as reservas e romper o preservativo.
Permita-se!
* (campanha do Ford Fiesta 2008)