
Esse seria um post apropriado para 15 de outubro. Mas a inspiração pra escrevê-lo veio hoje.
mestre: sm 1. Aquele que ensina; professor.
Poderia citar o nome de todos os meus professores, desde o Jardim I até o 6º semestre da faculdade. Mas citar por citar de nada adianta. Interessa saber como e por que me lembro deles até hoje.
Em ordem mais ou menos cronológica.
Minha primeira professora:
Giselle. Me ensinou a ler com uns 4 anos de idade. Brincando de "escolinha". Não, ela não tem um diploma, não fez magistério nem faculdade. Mas me ensinou a ler e eu já entrei no "C.R.I. - Centro de Recreação Infantil" sabendo. Obrigada, Gi. Sinto muito por não ter o mesmo dom que você e só conseguir ensinar os teus filhos a bagunçar.
Janeth. Não consigo esquecer... Caso peculiar: tem o mesmo
(mesmíssimo!) sobrenome do meu pai. E, mais, a família dela também é da Bahia. Ainda acho que trata-se d'uma parente distante.
Sérgio. Agradeço a Deus por nunca ter tido aula com você. Mas, valeu pelas "não-advertências" nos tempos de "ginásio"
(Ô, Isaac Newton...). Cá entre nós, a gente sabia que era pura marcação dos professores, né?
Rosa. Ah, Rosa! Queria chegar logo na 8ª série pra ter aula com você e ficava disfarçando, falando pra os outros que você era uma chata. Aprendi com você.
Até hoje carrego comigo que "
ciúmes é doença. Não tem essa de ter um pouquinho de ciúmes pra relação ser saudável".
E depois de dizer que "quem pratica a arte de adivinhar o futuro examinando a linha das mãos" é mentiroso, nunca mais esqueço da sua gargalhada e correção: "
é mentiroso também. Mas pra aula agora, é quiromante, menina!".
E o "
mim não faz nada, eu faz tudo"? Nunca mais consegui falar errado.
Deus te abençoe!
E eu lembro que você me dava dois tapinhas no rosto e me chamava de "danadinha", viu?
Gérson. Você quase conseguiu me ensinar matemática. Mas de você, carrego outros ensinamentos como, por exemplo, "
não coloca muito amaciante nas roupas porque dá bolinhas. O amaciante quebra as fibras e aí dá bolinhas".
Ou então, "
na época do racionamento [de energia] eu passava só a frente da camisa, perto dos botões. Eu uso jaleco, pra que passar a camisa toda? Tem que economizar!".
Você era um pouquinho sério quando tava nervoso: "
a única coisa que nunca vão poder tirar de você é o conhecimento. Então valoriza o que teu pai tá pagando aqui e aprende!".
Lembra do lance da dor de cabeça? "
Quando eu tiver uma mulher, na hora de ir pra cama já vou levar o comprimido pra dor de cabeça e a água pra ela. Se ela olhar pra mim e falar - 'não precisa, não tô com dor de cabeça'. Já era... Aí vai e não tem desculpa!" ahahaha
E o sabiá? "
Na minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá: sen(a+b) = sen a · cos b + sen b · cos a". Não uso isso pra nada, mas lembro do sabiá.
E outras... "
G, de Gérson gostoso".
Mestre
Alexandre. Acima de tudo, me fez enxergar que dentro da minha caixa craniana havia um cérebro "louco" pra ser usado. Obrigada, você me fez aprender a pensar, a questionar, a contrariar. Parte do que eu sou hoje
(se é que sou alguma coisa), grande parte, eu devo a você sim!
José. Eu não gostava de estudar biologia, não mesmo. Mas tuas aulas eram bacanas. Você é bacana.
"
Oi, gente. Passei aqui pra avisar que tô indo viajar pra China, vou conhecer Pequim e vocês vão ficar aqui estudando". E a pergunta besta - "onde você arruma esse dinheiro, José?". E a resposta pior ainda, que eu não vou colocar aqui
(agora com esse lance de PLC 122/2006 tem que tomar cuidado com o que escreve-fala... ahahaha).
Eu nunca tinha parado pra prestar atenção nas manhãs da cidade de São Paulo até conhecer
Colbert. Amante da cidade. Perito em Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Mestre. Te encontrar no 1º ano da faculdade faz uma diferença enorme. Nenhum outro professor faz um "discurso de último dia de aula" como você. Ouvir tuas palavras, dá um "gás" a mais pra enfrentar os 4 anos que vêm pela frente. "
Nos vemos em outras academias!" Naquelas em que a gente passa a noite sentado, conversando, bebendo e discutindo o sentido da vida. E não confundam "
bife a milanesa" com "
bife ali na mesa".
* E num acesso de "xaropice" pedi transferência de campus e período na facul. Não agüentei, em menos de 2 meses voltei. Deu saudades de:
Volúsia, que ensina como ninguém. Se eu aprendi algo de direito constitucional ou administrativo, o mérito é todo teu.
Mário Sérgio. Mestre. O direito penal até fica legal nas suas aulas - "
é o único ramo do direito que não ensina mentiras. O direito do trabalho diminui minutos pra efeitos de trabalho noturno, o direito civil diz que navio e avião são bens imóveis...".
E há ainda a sua excessiva preocupação com o "11º semestre dos acadêmicos de Direito". Valeu.
Flávio. Dos tantos professores de direito civil que já cruzaram o caminho da minha turma, você é excepcional. E quando eu tiver filhos não os levarei à Disney, não. Vou levá-los a lugares onde eles possam, realmente, aprender algo importante.
** E não é só na "escola" que há professores!
Camila. Fui de uma de suas tantas turmas do CNA. E dos tantos professores que tive lá, você foi especial. Pelo ritmo da aula, pelo seu jeito de explicar, pelos gritos, pela alopração. Foi só um semestre, mas foi bacana.
Luis. Não sei pra que fui fazer curso de espanhol. Mas foi legal. Lembro de você defendendo seu país com unhas e dentes
(quando algum infeliz perguntava se lá tinha prédio, carros... ahahaha).
Menosprezava o Brasil. Dizia que a educação aqui era ruim, que nós não sabíamos tomar café da manhã
(pra nós, brasileiros, frangos não foram feitos para serem consumidos pela manhã!) e que não tínhamos saúde porque não andávamos de bicicleta. E eu sempre pensei "se é tão ruim assim, o que você tá fazendo aqui?".
Paulo. Natação. Quase me fez acreditar que eu podia, realmente, nadar com um tempo bom o suficiente pra participar de competições. Foi quase, porque antes que isso, efetivamente, acontecesse dei vazão a um problema de saúde e parei a natação. Mas valeu. Eu lembro de você, as lembranças são boas...
Israel. Músico que eu admiro. E admiro muito
(mais ainda porque foi o único que fui ver tocar num auditório no MASP!). Não só tocando, mas conversando, sorrindo, ensinando. Abriu meus olhos... Me fez enxergar que minha "inteligência musical" poderia ser desenvolvida se houvesse dedicação. Meus primeiros passos
(dados tardiamente, na minha opinião) em música de verdade... Teoria e teoria. Prática: flautinha doce. ahahaha. Valeu.
Se você não tivesse participado dos meus sábados de manhã, talvez eu tivesse desistido desse lance de me dedicar a instrumentos musicais e quem sabe nem música eu ouviria mais!
(exagero, exagero!)Fernando. "Baterista é tudo folgado, tudo doido..." diz a minha mãe. E, durante um bom tempo, eu tive essa opinião
(ou me "apoderei" dela, sei lá!). Mas aí você apareceu e "contrariou"! ahahaha. Mestre. Não dá nem pra descrever. Deixa quieto... Quando eu encontrar palavras eu volto aqui e escrevo.
Mestres,
"
Todos nascemos originais e morremos cópias"
(Carl G. Jung).
Se for pra copiar vocês, por mim tudo bem.