sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Bolha

Foi depois de assistir "Vh1 Rock Honor - The Who" e ver Wayne Coyne, do The Flaming Lips (foto) entrando em cena dentro de um bolha, que fiquei pensando como deve ser maneiro estar "dentro" de uma.
Lembrei-me também de Diego Hypólito que antes de sua participação nas Olímpiadas, em Pequim, ao referir-se à concentração para a competição soltou a frase - "estou vivendo na minha bolha".
E cheguei à conclusão [óbvia] de que muitos de nós vivemos em bolhas, não como as de Coyne, mas mais parecidas com a de Diego.
Em meus [saudosos] tempos de ensino médio eu "descobri" o discman - hoje, se perguntarmos a uma criança de 8 ou 9 anos se ela conhece "discman", pasme! Ela nem imagina o que é (comprovado!). Gravei um bocado de CDs do Bon Jovi e ouvia todos os dias, praticamente o tempo todo - indo pra escola, durante a aula, no intervalo, voltando pra casa (ahá! t'aí o motivo porque eu sei quase, se não, todas as músicas!).
Naquela época (até parece que faz tanto tempo assim!) em que mp3's de 512Mb custavam mais de R$100,00 (na Santa Ifigênia) e era difícil escolher 99 músicas pra colocar na aparelhin' (sim, eu demorava um tempão!), tive a felicidade de ganhar um. E desde então, fiz do mp3 "parte do meu corpo" - minha mãe me vê saindo de casa - pego a mochila, o bilhete único, esqueço o celular, boto o mp3 no bolso, os fones na orelha, ela diz: "Esse negocinho parece uma parte do teu corpo. Você não enjoa, não?". Não, eu não enjôo.
Meu pânico de ficar sem pilhas na rua é tão grande que tenho 6 (isso mesmo! 6!!) pilhas-reserva na mochila. E claro, várias vezes já me peguei pagando R$ 5,00 em pilhas Duracell em banca de jornal, farmácia, lojinha, só porque esqueci as recarregáveis em casa (eis o motivo porque não consigo trocar de aparelhin'... Os outros são a bateria e o fato de a bateria acabar e eu não poder trocá-la ou carregá-la na rua me apavora!).
Meus dias têm sido acompanhados por Seu Jorge, Ana Carolina e Paula Lima, com raras variações. Saio de casa de manhã já com a "trilha sonora" tocando, ao entrar na lotação, dependendo do motorista, tiro o fone de uma orelha para lhe dizer "bom dia" e ouvir a resposta (já que o som é tão alto que se eu não tirar tenho que fazer leitura labial). Coloco de novo. Só tiro na porta da sala de aula. Quando acaba a aula, já saio da sala com a orelha ocupada. Só tiro quando entro em casa.
Praticamente o tempo todo que estou sozinha, tenho meu fiel par de fones pra reproduzir um som agradável aos meus ouvidos. Que eu me lembre, não vou sem eles pra lugar algum. Não mesmo.
Decidi sair da bolha (sim, é uma espécie de bolha), pelo menos por um dia. Nem levei o aparelho na mochila pra não "cair em tentação". Deixei-o em casa. Sozinho e desolado.
Quando saí na rua, notei que é incrivelmente barulhenta pela manhã! Lotações que passam correndo, pessoas que conversam alto demais no ponto de ônibus, crianças que gritam com os pais quando estão indo pra escolinha e por aí vai.
E o barulho só piora. Na lotação que tomo pra ir pra facul tem um bocado de estudantes. E como falam! Eu hein... Cada assunto chato, que só ouvindo, ou melhor, nem queira ouvir. E as músicas que o motorista deixa tocando? Gosto da Beyoncè, mas ouvir seus gritos pela manhã não é nem um pouco agradável.
Enfim...
Na volta de novo: barulho de ônibus (já que tenho que voltar por um caminho mais movimentado), de caminhão, de buzina de carro, buzina de moto. Motorista que canta - "não diga que ele não vem...". Ou diz pra o passageiro que pede uma informação - "Eletropaulo? Cuidado com a Eletropaulo, viu? Ouvi dizer que tão dando choque em todo mundo. Mas se você ainda quiser ir lá, desce aqui, atravessa a faixinha quando o farol fechar - espera fechar, viu? que é logo ali. Mas cuidado com o choque!". E, não, o cidadão não tinha problema nenhum. Era uma pessoa comum, diria até "normal".
Mas sair da bolha tem lá suas vantagens. Ou desvantagens - ainda estou em dúvida. Por não estar com um "empecilho" à sua atenção, as pessoas conversam com você. Uma da sala de aula até o ponto de ônibus, outra na hora de descer do busão e mais um de um ponto até o portão de sua casa. Motoristas te cumprimentam e vão além do "bom dia". Vizinhos te vêem e puxam assunto.
Eu não sou uma pessoa sociável, ou melhor, costumo não ser. Prefiro "bolha", Jorge, Paula, Ana... Mas é bom interagir com o mundo "exterior". Ainda que seja barulhento, desgastante ou cheio de conversas chatas e formais.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Professores [não] aloprados


Esse seria um post apropriado para 15 de outubro. Mas a inspiração pra escrevê-lo veio hoje.

mestre: sm 1. Aquele que ensina; professor.

Poderia citar o nome de todos os meus professores, desde o Jardim I até o 6º semestre da faculdade. Mas citar por citar de nada adianta. Interessa saber como e por que me lembro deles até hoje.

Em ordem mais ou menos cronológica.

Minha primeira professora: Giselle. Me ensinou a ler com uns 4 anos de idade. Brincando de "escolinha". Não, ela não tem um diploma, não fez magistério nem faculdade. Mas me ensinou a ler e eu já entrei no "C.R.I. - Centro de Recreação Infantil" sabendo. Obrigada, Gi. Sinto muito por não ter o mesmo dom que você e só conseguir ensinar os teus filhos a bagunçar.

Janeth. Não consigo esquecer... Caso peculiar: tem o mesmo (mesmíssimo!) sobrenome do meu pai. E, mais, a família dela também é da Bahia. Ainda acho que trata-se d'uma parente distante.

Sérgio. Agradeço a Deus por nunca ter tido aula com você. Mas, valeu pelas "não-advertências" nos tempos de "ginásio" (Ô, Isaac Newton...). Cá entre nós, a gente sabia que era pura marcação dos professores, né?

Rosa. Ah, Rosa! Queria chegar logo na 8ª série pra ter aula com você e ficava disfarçando, falando pra os outros que você era uma chata. Aprendi com você.
Até hoje carrego comigo que "ciúmes é doença. Não tem essa de ter um pouquinho de ciúmes pra relação ser saudável".
E depois de dizer que "quem pratica a arte de adivinhar o futuro examinando a linha das mãos" é mentiroso, nunca mais esqueço da sua gargalhada e correção: "é mentiroso também. Mas pra aula agora, é quiromante, menina!".
E o "mim não faz nada, eu faz tudo"? Nunca mais consegui falar errado.
Deus te abençoe!
E eu lembro que você me dava dois tapinhas no rosto e me chamava de "danadinha", viu?

Gérson. Você quase conseguiu me ensinar matemática. Mas de você, carrego outros ensinamentos como, por exemplo, "não coloca muito amaciante nas roupas porque dá bolinhas. O amaciante quebra as fibras e aí dá bolinhas".
Ou então, "na época do racionamento [de energia] eu passava só a frente da camisa, perto dos botões. Eu uso jaleco, pra que passar a camisa toda? Tem que economizar!".
Você era um pouquinho sério quando tava nervoso: "a única coisa que nunca vão poder tirar de você é o conhecimento. Então valoriza o que teu pai tá pagando aqui e aprende!".
Lembra do lance da dor de cabeça? "Quando eu tiver uma mulher, na hora de ir pra cama já vou levar o comprimido pra dor de cabeça e a água pra ela. Se ela olhar pra mim e falar - 'não precisa, não tô com dor de cabeça'. Já era... Aí vai e não tem desculpa!" ahahaha
E o sabiá? "Na minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá: sen(a+b) = sen a · cos b + sen b · cos a". Não uso isso pra nada, mas lembro do sabiá.
E outras... "G, de Gérson gostoso".

Mestre Alexandre. Acima de tudo, me fez enxergar que dentro da minha caixa craniana havia um cérebro "louco" pra ser usado. Obrigada, você me fez aprender a pensar, a questionar, a contrariar. Parte do que eu sou hoje (se é que sou alguma coisa), grande parte, eu devo a você sim!

José. Eu não gostava de estudar biologia, não mesmo. Mas tuas aulas eram bacanas. Você é bacana.
"Oi, gente. Passei aqui pra avisar que tô indo viajar pra China, vou conhecer Pequim e vocês vão ficar aqui estudando". E a pergunta besta - "onde você arruma esse dinheiro, José?". E a resposta pior ainda, que eu não vou colocar aqui (agora com esse lance de PLC 122/2006 tem que tomar cuidado com o que escreve-fala... ahahaha).

Eu nunca tinha parado pra prestar atenção nas manhãs da cidade de São Paulo até conhecer Colbert. Amante da cidade. Perito em Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Mestre. Te encontrar no 1º ano da faculdade faz uma diferença enorme. Nenhum outro professor faz um "discurso de último dia de aula" como você. Ouvir tuas palavras, dá um "gás" a mais pra enfrentar os 4 anos que vêm pela frente. "Nos vemos em outras academias!" Naquelas em que a gente passa a noite sentado, conversando, bebendo e discutindo o sentido da vida. E não confundam "bife a milanesa" com "bife ali na mesa".

* E num acesso de "xaropice" pedi transferência de campus e período na facul. Não agüentei, em menos de 2 meses voltei. Deu saudades de:

Volúsia, que ensina como ninguém. Se eu aprendi algo de direito constitucional ou administrativo, o mérito é todo teu.

Mário Sérgio. Mestre. O direito penal até fica legal nas suas aulas - "é o único ramo do direito que não ensina mentiras. O direito do trabalho diminui minutos pra efeitos de trabalho noturno, o direito civil diz que navio e avião são bens imóveis...".
E há ainda a sua excessiva preocupação com o "11º semestre dos acadêmicos de Direito". Valeu.

Flávio. Dos tantos professores de direito civil que já cruzaram o caminho da minha turma, você é excepcional. E quando eu tiver filhos não os levarei à Disney, não. Vou levá-los a lugares onde eles possam, realmente, aprender algo importante.

** E não é só na "escola" que há professores!

Camila. Fui de uma de suas tantas turmas do CNA. E dos tantos professores que tive lá, você foi especial. Pelo ritmo da aula, pelo seu jeito de explicar, pelos gritos, pela alopração. Foi só um semestre, mas foi bacana.

Luis. Não sei pra que fui fazer curso de espanhol. Mas foi legal. Lembro de você defendendo seu país com unhas e dentes (quando algum infeliz perguntava se lá tinha prédio, carros... ahahaha).
Menosprezava o Brasil. Dizia que a educação aqui era ruim, que nós não sabíamos tomar café da manhã (pra nós, brasileiros, frangos não foram feitos para serem consumidos pela manhã!) e que não tínhamos saúde porque não andávamos de bicicleta. E eu sempre pensei "se é tão ruim assim, o que você tá fazendo aqui?".

Paulo. Natação. Quase me fez acreditar que eu podia, realmente, nadar com um tempo bom o suficiente pra participar de competições. Foi quase, porque antes que isso, efetivamente, acontecesse dei vazão a um problema de saúde e parei a natação. Mas valeu. Eu lembro de você, as lembranças são boas...

Israel. Músico que eu admiro. E admiro muito (mais ainda porque foi o único que fui ver tocar num auditório no MASP!). Não só tocando, mas conversando, sorrindo, ensinando. Abriu meus olhos... Me fez enxergar que minha "inteligência musical" poderia ser desenvolvida se houvesse dedicação. Meus primeiros passos (dados tardiamente, na minha opinião) em música de verdade... Teoria e teoria. Prática: flautinha doce. ahahaha. Valeu.
Se você não tivesse participado dos meus sábados de manhã, talvez eu tivesse desistido desse lance de me dedicar a instrumentos musicais e quem sabe nem música eu ouviria mais! (exagero, exagero!)

Fernando. "Baterista é tudo folgado, tudo doido..." diz a minha mãe. E, durante um bom tempo, eu tive essa opinião (ou me "apoderei" dela, sei lá!). Mas aí você apareceu e "contrariou"! ahahaha. Mestre. Não dá nem pra descrever. Deixa quieto... Quando eu encontrar palavras eu volto aqui e escrevo.

Mestres,
"Todos nascemos originais e morremos cópias" (Carl G. Jung).
Se for pra copiar vocês, por mim tudo bem.

sábado, 6 de setembro de 2008

Solução Tabajara para a cidade de São Paulo

Conversando um dia desses sobre política (ou não), depois de ler uma notícia-matéria em que Paulo Maluf sugeriu que ganhará as eleições [para prefeito de São Paulo em] 2008 o "candidato que mentir mais" (se for assim, ele já está garantido no gabinete da prefeitura no próximo ano! haha), encontrei o que seria a melhor [?] solução para a cidade.
Depois de pegar um desses folhetinhos (ou quase folha A4 - para as próximas eleições, acho que os candidatos mandarão entregar alguns cartazes impressos em A3 nas portas das faculdades!) vi que abaixo do rosto estampado no dito cujo tinha algo do tipo "coligação todos-os-micro-e-nano-partidos-de-esquerda-do-país". E aí surgiu a idéia [brilhante!]. Devia haver uma coligação PT-PSDB-PP-DEM!

Sim, é uma idéia brilhante.

Marta Suplicy cuidaria do transporte. Não há como negar, pra quem anda de "Mercedão", a renovação da frota foi boa. E o que dizer do bilhete único? Outro fulano pode ter "aperfeiçoado", mas a idéia inicial foi dela e ponto final (e "não-aperfeiçoada" era melhor: ônibus ilimitados por duas horas!). Eu NÃO acredito nos "47km de metrô em 4 anos". Não mesmo. E também não boto fé em "228km de corredores de ônibus". Impeçam-na de criar taxas e deixem-na se dedicar única e exclusivamente ao transporte público. Não duvido nada de que em pouco tempo andaríamos em ônibus com ar-condicionado! haha
Geraldo Alckmin é médico. Sei lá o que isso significa, ou o quanto ajuda, mas acredito que ele daria uma atenção especial a área da saúde. Quem sabe na educação e talvez na segurança pública. Mais, prendam-no em uma sala com uma cadeira confortável, bem ventilada e com um frigobar, com a dura missão de cuidar de impostos e crescimento econômico. Vai sair algo que preste de lá. E, claro, não deixem-no lidar com publicidade e propaganda. Nunca!
Paulo Maluf (ah! Maluf!)... Que "rasgue" estradas por toda a cidade. Adicione pistas às principais já existentes. Amplie, amplie, amplie os lugares por onde os carros possam passar. Sabe fazer isso como ninguém.
Quanto a Gilberto Kassab... Um sortudo qualquer que caiu de pára-quedas pr'os paulistas (ou paulistanos? eu sempre confundo isso! Enfim...). Deixa o Kassab lá num cantinho. Assim mantém a cidade limpa (odeio outdoors e placas enormes) e as crianças continuam levando leite Ninho pra casa (uns criam, outros aperfeiçoam...).
E por aí vai... "Cada macaco no seu galho". E os outros [tantos!] assuntos, que eles discutam em grupo (mais que uma cabeça, pensa melhor que uma. duh!).
Pra terminar: pega o candidato da "coligação todos-os-micro-e-nano-partidos-de-esquerda-do-país" e bota pra fiscalizar a corja.

Viva São Paulo. A "melhor" cidade do mundo!

*Não. Eu não li "promessas de governo" de ninguém e nem assisto "bizarrice eleitoral gratuita". Este post não tem fundamento.